domingo, 13 de setembro de 2026

Toda a nação, burgueses e proletários, estão preocupados com a crise dos, nos e entre os poderes: manifesto empresarial

Toda a nação, burgueses e proletários, estão preocupados com a crise dos, nos e entre os poderes: manifesto empresarial

MANIFESTO À NAÇÃO BRASILEIRA

O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de ruído passageiro.

Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita. A autoridade de um tribunal não decorre da toga nem do cargo, mas da legitimidade que só a imparcialidade, a transparência e a exemplaridade conferem. Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social.

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas. Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas.

A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!

Cada dia é um dia a mais de descrédito.

O País já venceu crises profundas e delas saiu mais forte, porque, em cada uma, houve quem se recusasse a calar.

Ninguém, ninguém está acima da LEI!

NÃO SE CALE. FAÇA A DIFERENÇA!

ENTIDADES QUE JÁ ASSINARAM

 

CACB Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil

CNC Confederação Nacional do Comércio

CNI Confederação Nacional da Indústria

FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

FACESP Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo

FAESP Federação da Agricultura do Estado de São Paulo

Seguem centenas de associações... 

 

 

Is BRICS Losing Its Mojo? - Sarang Shidore (Foreign Policy)

 

Gender, Slavery, and Freedom: Perspectives from Brazilian Historiography in Slavery and Abolition: special issue of Slavery & Abolition

 

Greetings Paulo Roberto Almeida,
A new Announcement has been posted in H-LatAm.

Message from a proud sponsor of H-Net:

Madame IA avalia criticamente minha avaliação crítica da Declaração do BRICS do Rio de Janeiro, em 2025

Madame IA avalia criticamente minha avaliação crítica da Declaração do BRICS do Rio de Janeiro, em 2025, recentemente postado novamente no Diplomatizzando:


https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/exame-circunstanciado-da-declaracao-do.html

O texto fornecido no link é um artigo de opinião analítico e crítico, escrito pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida no blog Diplomatizzando. Por se tratar de um ensaio de análise de política externa, o conceito de "fato ou fake" não se aplica ao texto como um todo, mas sim à veracidade dos documentos que ele analisa.
O autor realiza um "exame circunstanciado" e aponta as Incongruências factuais e
contradições políticas contidas na "Declaração do Rio de Janeiro", documento oficial
emitido pela cúpula do BRICS+ em 6 de julho de 2025. O veredicto principal é que as
críticas do autor são factualmente fundamentadas, enquanto as declarações oficiais do
bloco frequentemente mascaram a realidade geopolítica com retórica diplomática
(«mentiras flagrantes» ou «hipocrisia»).
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do texto sob múltiplas perspectivas.

🔎 1. Fact-Checking Direto e Confronto Documental
O autor confronta a retórica do documento com a realidade empírica das relações
internacionais em 2025/2026:
O "Fake" na Declaração do BRICS: O bloco exalta o compromisso com a «igualdade
soberana», «democracia», «promoção da paz» e o respeito à «Carta da ONU».
Contudo, um de seus membros principais (a Rússia) conduz uma guerra de agressão
territorial unilateral contra a Ucrânia. Factualmente, a narrativa de harmonia legal do
bloco é falsa.
Seletividade Moral Espelhada: O parágrafo 35 da declaração condena ataques
ucranianos a infraestruturas de transporte russas (Bryansk, Kursk) como alvos civis. No
entanto, o texto omite sistematicamente o bombardeio diário de Pequim e Moscou a
redes elétricas, hospitais e creches na Ucrânia. O autor expõe com precisão essa
falsidade por omissão.

📊 2. Perspectiva Econômica e Financeira
O texto desconstrói mitos e desejos políticos sobre a arquitetura financeira global à luz da
teoria econômica clássica:
A Desdolarização Artificial: O autor critica duramente a fixação política de líderes
(como o presidente brasileiro Lula) em substituir o dólar americano por moedas locais
ou um ativo comum do BRICS. Ele aponta um fato econômico: o sistema multilateral
de pagamentos é movido pela eficiência, liquidez, estabilidade e escolha de agentes
privados. Nenhuma moeda atual do BRICS preenche esses requisitos econômicos
reais.
Instituições de Fomento (NBD e CRA): O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e o
Arranjo Contingente de Reservas (CRA) são analisados com ceticismo técnico. Se
flexibilizarem a análise de risco para agradar politicamente os sócios, colherão crises de
endividamento e inadimplência crônicas.
O Alvo Comercial: O autor ironiza o fato de o BRICS criticar o protecionismo e tarifas
unilaterais (mirando as políticas do presidente dos EUA, Donald Trump), enquanto os
próprios integrantes do bloco erguem barreiras sob slogans de "compras
governamentais sustentáveis".🌐

3. Perspectiva Política e Geopolítica
A análise foca na redefinição de conceitos e no uso do bloco como ferramenta de projeção
de poder:
A Falácia do "Sul Global": O autor questiona a coerência de incluir a Rússia (uma
potência euroasiática clássica) e a China (segunda maior economia e superpotência
industrial do planeta) no conceito de Sul Global. Geopoliticamente, o termo funciona
mais como uma coalizão anti-Ocidente do que como uma identidade geográfica ou
econômica coesa.

O Veto Velado no CSNU: A declaração apoia a aspiração de Brasil e Índia a assentos
permanentes no Conselho de Segurança da ONU. O texto denuncia o cinismo político
de Pequim e Moscou, que endossam a nota sabendo que, na prática institucional,
utilizam seu poder de veto para impedir qualquer alteração no status quo do Conselho.

💻 4. Perspectiva Tecnológica
Ao analisar o item 16 sobre a "Governança Global da Inteligência Artificial", o texto assume
uma postura liberal clássica:
O autor critica o ímpeto regulatório precoce e estatal das nações do BRICS. Ele traça
um paralelo histórico com a Primeira Revolução Industrial. A tese é que a hiper-
regulação estatal antes da maturação tecnológica sufoca a inovação privada, servindo
apenas para que regimes autoritários controlem o fluxo da informação e protejam a
"soberania estatal" da livre circulação de dados.

5. Perspectiva Jurisdicional e Legal
Sanções vs. Direito Internacional: O BRICS condena sanções unilaterais como
ilegais. O autor rebate esse argumento sob a ótica do Direito Internacional: as sanções
econômicas aplicadas pelas democracias ocidentais contra a Rússia cumprem o espírito
da Carta da ONU no que tange ao dever de cooperar para conter um Estado agressor e
apoiar a soberania da nação invadida (Ucrânia).

💡 6. Perspectiva Filosófica e Ética
O ensaio opera sob a filosofia da racionalidade crítica e do realismo político. Inspirado
no pensamento de Karl Popper (frequentemente citado no rodapé do próprio blog do autor),
Almeida ataca o utilitarismo e o relativismo moral da diplomacia do bloco.
Ele expõe o viés de seletividade e o cinismo ético em que "vale mais o que não é dito".
A construção de uma utopia multilateral no papel (126 parágrafos de boas intenções)
serve como cortina de fumaça ética para encobrir crimes contra a humanidade e o
expansionismo territorial de regimes autocráticos.

🎯 Conclusão do Julgamento
O texto analisado expressa fatos analíticos inquestionáveis embalados em uma forte
carga opinativa. O autor cumpre o papel de desmascarar a dissonância cognitiva da
diplomacia brasileira ao assinar um documento que colide frontalmente com a tradição
jurídica do Itamaraty (que historicamente defende a integridade territorial e condena
invasões unilaterais). A Declaração do BRICS de 2025 contém, sim, narrativas "fakes" e
simulacros legais desenhados para proteger interesses geopolíticos específicos.



sábado, 12 de setembro de 2026

Revista Será?, número de 11 de setembro de 2026

ANO XIV Nº728 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº728

 Recife, 11 de setembro de 2026

Caro leitor,

Nesta edição, reunimos textos que interrogam o poder, a democracia, a memória política, os riscos do extremismo e, em outro registro, a literatura, a morte e a condição humana. Entre o ruído da conjuntura e questões permanentes, propomos ao leitor um percurso de reflexão crítica.

Nosso Editorial, “O STF afundou no pântano da polarização”, examina a promiscuidade de ministros do Supremo com negócios privados escusos e a contaminação da Corte pelas disputas políticas. Defendemos transparência, independência institucional e mudanças no processo de escolha dos ministros, diante de uma crise que ameaça a credibilidade de uma instituição essencial à democracia.

Em “Ressentimento e saudosismo”, Sérgio C. Buarque volta o olhar para a Alemanha. A ascensão da AfD na antiga Alemanha Oriental serve de ponto de partida para investigar desigualdades regionais, frustrações da reunificação, memória seletiva e possível nostalgia de regimes autoritários, num quadro que reacende temores históricos e ultrapassa as fronteiras alemãs.

O retorno ao Brasil ocorre com “Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis”, de Elimar Pinheiro do Nascimento. O escândalo do Banco Master e a transformação do STF em arena da disputa eleitoral contrastam com aquilo que quase desapareceu do debate público: contas públicas, educação, crise ecológica, mudanças climáticas e os desafios estratégicos do desenvolvimento.

Essa crise institucional ganha interpretação ainda mais contundente em “Tentativa de Golpe dentro do STF”, de Rui Martins. O autor vê na atuação de André Mendonça algo que ultrapassaria o conflito entre magistrados: uma interferência político-eleitoral capaz de aproximar religião, poder judicial e campanha eleitoral, colocando em questão a laicidade do Estado e a soberania democrática.

Em “Os Deuses do Riso”, José Paulo Cavalcanti Filho muda o registro sem abandonar o Supremo. A partir de uma fotografia de ministros sorrindo, convoca deuses gregos, literatura e ironia para refletir sobre poder, corporativismo, impunidade e a distância entre instituições e sociedade. O texto conduz o leitor a um desfecho que preferimos não antecipar.

O ambiente eleitoral reaparece em “O Circo, o Cerco e as Eleições”, de Paulo Gustavo. Para o autor, a eleição não se reduz à competição convencional pelo governo: envolve a resistência democrática diante do avanço da extrema direita, inclusive no Congresso. Nesse cenário, sustenta a recondução de Lula e Geraldo Alckmin como alternativa democrática mais razoável.

Depois da tensão política, Helga Hoffmann nos oferece outra forma de olhar o Brasil. Em “Não era água o que Wassermann queria”, resenha o romance Wassermann, de F.J. Brüseke, no qual um engenheiro alemão se transforma quase inadvertidamente em agente secreto. Espionagem, cooperação internacional, humor e estranhamento constroem um Brasil visto simultaneamente de fora e de perto.

Com “Da Morte e Suas Adjacências”, Clemente Rosas desloca a edição para uma questão universal. Entre Leandro Gomes de Barros, Susan Sontag, Paulo Pontes, Somerset Maugham e Zorba, o Grego, reflete sobre resignação e recusa, fé e racionalismo, medo e serenidade, para afirmar a vida como o verdadeiro centro da experiência humana.

Fechamos a edição com a Última Página, a charge de Elson.

Da crise do STF às eleições, da extrema direita europeia à literatura, da ironia à morte, esta edição convida a desconfiar das respostas fáceis. Em tempos de certezas barulhentas, continuamos a preferir o exercício da dúvida, da crítica e da reflexão.

Boa leitura.
Os Editores

Índice

  1. O STF afundou no pântano da polarização - Editorial
  2. Ressentimento e saudosismo - Sérgio C. Buarque
  3. Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis - Elimar Pinheiro do Nascimento
  4. Tentativa de Golpe dentro do STF - Rui Martins
  5. Os Deuses do Riso - José Paulo Cavalcanti Filho
  6. O Circo, o Cerco e as Eleições - Paulo Gustavo
  7. Não era água o que Wassermann queria - Helga Hoffmann
  8. Da Morte e Suas Adjacências - Clemente Rosas
  9. Última Página, a charge de Elson

 

 

Revista Será? Penso, logo duvido. — Conhecimento para transformar a realidade.

 

Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000 - Forum de debate sobre um livro seminal

Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000
Forum de debate sobre um livro seminal:

H-Diplo | Robert Jervis International Security Studies Forum
Roundtable 18-2
Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000. Random House, 1987. ISBN: 0394546742.
11 September 2026 | PDF: https://issforum.org/to/jrt18-2

Contents
Introduction by Michael Brenes, Yale University, 2
Review by Rosella Cappella Zielinski, Boston University, 6
Review by Michael Cox, London School of Economics and Political Science (LSE), 9
Review by John D. Maurer, School of Advanced Air and Space Studies, Air University, 16
Review by Varsha Venkatasubramanian, UC Berkeley, 24
Response by Paul Kennedy, Yale University, 29 

 Ler na íntegra: https://issforum.org/to/jrt18-2

 


China’s Approach to AI in the Global South: Selling the Razor Blades, Not the Razor - ANDREW POLK (Sinica)

 China’s Approach to AI in the Global South: Selling the Razor Blades, Not the Razor
ANDREW POLK
Sinica, SEP 12, 2026

Everyone keeps calling the US-China AI competition a race.

But Eric Olander, co-founder of the China Global South Project, says that framing is wrong — because a race implies a finish line, and this competition doesn’t have one.
Eric’s view is that Chinese AI companies aren’t necessarily looking to out innovate US closed-weight models.
Instead, the goal for China is to become Android to America’s Apple — 10% of the profit, but 90% of the world’s users.
On this week’s episode of the Trivium China Podcast, Eric discusses China’s approach to building AI offerings in the Global South with host Andrew Polk — but only after the two run through the flurry of travel and diplomacy Xi Jinping is undertaking throughout September.

The two discuss the implications of Xi’s travels, then turn to China’s AI strategy in the region, touching on:

How Xi turned a single stop in Egypt into a four-birds-one-stone diplomatic play, touching on the Iran war, the Israel-Palestine conflict, Africa-China relations, and the dynamics around Xinjiang all at once
Why the India-China thaw is real but fragile, and why Xi and Modi’s sideline meeting at the upcoming BRICS summit matters more than anything on the summit’s official agenda
Why China’s AI push into the Global South won’t really be about the models themselves — but about enabling those models with Huawei servers, support contracts, and services sold on top of free, open-weight code
Why the “China is less secure” pitch against Chinese AI companies doesn’t land in a Global South that trusts Washington about as little as it trusts Beijing
Why nobody in the Global South expects much from Xi’s Washington visit, and why the mood in Beijing right now is just as hardened as it is in DC

Transcript of the conversation at this link:
https://www.sinicapodcast.com/p/chinas-approach-to-ai-in-the-global?utm_source=post-email-title&publication_id=2079154&post_id=215438537&utm_campaign=email-post-title&isFreemail=true&r=8ma92&triedRedirect=true&utm_medium=email

Nota conjunta da SBPC e da ABC em defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito

Nota conjunta da SBPC e da ABC em defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito
sábado, 12 de setembro de 2026

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) acompanham com preocupação as tensões que envolvem instituições centrais da República e reafirmam seu compromisso com a Constituição, o Estado Democrático de Direito e a igualdade de todos perante a lei.
Não cabe às entidades científicas substituir as instâncias competentes na investigação dos fatos ou antecipar juízos sobre responsabilidades individuais. Cabe-lhes, contudo, participar do debate público e defender os princípios que sustentam a vida democrática. É com esse compromisso, e não em defesa de pessoas ou interesses político-partidários, que a SBPC e a ABC se manifestam.
A democracia exige instituições independentes e, ao mesmo tempo, submetidas à Constituição. Defender as instituições não significa proteger seus integrantes de investigação ou responsabilização. Nenhuma autoridade está acima da lei ou dispensada do escrutínio público e do dever de prestar contas à sociedade.
Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelas instâncias competentes, com independência e imparcialidade, assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Responsabilidades comprovadas devem produzir as consequências previstas em lei. A blindagem de autoridades não fortalece as instituições: corrói sua credibilidade.
Os fatos se esclarecem com evidências, procedimentos claros e decisões fundamentadas, não com disputas de versões. Transparência e respeito às instâncias colegiadas são indispensáveis, resguardadas as hipóteses legais de sigilo. A divulgação seletiva de material sob apuração, qualquer que seja sua origem e quem quer que beneficie, contraria esses princípios e transfere para a repercussão pública o que compete às instâncias formais decidir. A confiança pública não se recupera pelo silêncio nem pela precipitação, mas pela capacidade demonstrada de apurar e responder, sem desqualificar questionamentos legítimos nem antecipar condenações.
A autonomia técnica dos órgãos de investigação, fiscalização e controle e a independência do Poder Judiciário devem ser preservadas. Nenhuma disputa entre autoridades justifica interferências indevidas em suas atribuições ou o uso desses órgãos em embates pessoais, políticos ou eleitorais. Independência institucional e responsabilidade pública são exigências complementares.
A SBPC e a ABC alertam para o risco de que essas tensões alimentem a desinformação, aprofundem a polarização e sejam utilizadas para atacar o próprio regime democrático. A crítica e o debate plural são parte da democracia; não se confundem com tentativas de destruí-la. Divergências se resolvem dentro da Constituição, nunca contra ela.
Para a comunidade científica, essa defesa não é um assunto distante. O pleno desenvolvimento da ciência e da educação requer liberdade de pensamento, liberdade acadêmica, respeito às evidências e condições para questionar e debater. Defender a democracia é também assegurar essas condições e contribuir para um país comprometido com a soberania, a justiça social e a redução das desigualdades.
Em continuidade com suas manifestações anteriores, a SBPC e a ABC conclamam as instituições brasileiras a agir com serenidade, transparência e firmeza, à altura do momento, assegurando a apuração dos fatos e o respeito às garantias democráticas. Reafirmam sua disposição de contribuir para o debate público e plural em defesa da Constituição, da democracia e da República. Fortalecer a democracia exige instituições íntegras, autoridades responsáveis por seus atos e direitos assegurados a todas as pessoas.
Esta nota é aberta à subscrição das sociedades científicas, academias e instituições de ensino e pesquisa que compartilham seus princípios. As adesões recebidas serão incorporadas à relação de signatários e divulgadas nos canais da SBPC e da ABC.

09 de setembro de 2026
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Subscrevem esta nota:
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr)
Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (Abecs)
Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED)
Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)
Associação Brasileira de Mutagênese e Genômica Ambiental (Mutagen-Brasil)
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (Abrapec)
Associação Brasileira de Professores de Latim (ABPL)
Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)
Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR)
Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)
Associação Nacional de Programas de Pós-graduação em Comunicação (COMPÓS)
Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE)
Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (SOCICOM)
Federação de Arte/Educadores do Brasil (FAEB)
Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE)
Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes (FCHSSALLA)
Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)
Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares (SBBN)
Sociedade Brasileira de Biomecânica (SBB)
Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)
Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo (SBMAG)
Sociedade Brasileira de Entomologia (SBE)
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM)
Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTe)Sociedade Brasileira de Física (SBF)
Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis)
Sociedade Brasileira de Geoquímica (SBGq)
Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH)
Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC)
Sociedade Brasileira de Micologia (SBM)
Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC)
Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO)
Sociedade Brasileira de Otica e Fotônica (SBFoton)
Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz)
Sociedade Brasileira de Química (SBQ)
Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos (SBRG)
Sociedade Brasileira de Virologia (SBV)

As ideias e as práticas da política externa brasileira (incompleto) - Paulo Roberto de Almeida

Um trabalho feito no celular, que não tinha sido transposto para o computador:  

As ideias e as práticas da política externa brasileira 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Texto incompleto de um trabalho iniciado, mas não terminado, encontrado numa postagem no Threads, com data de 11/08/2026 (21 Views), sem qualquer registro anterior nesta lista de trabalhos ou nos arquivos do computador.

  

Toda política de Estado, que não seja pura reação a fatos intervenientes que se infiltram de forma independente na agenda dos governantes de plantão, resulta sempre de alguma concepção própria que possua o chefe de Estado e de governo, junto com seus assessores imediatos e seus inspiradores indiretos, sobre como conduzir as principais políticas governamentais que respondam aos desafios da própria governança.

Governos inspirados por ideias gerais sobre como conduzir os mais importantes assuntos de Estado — economia, segurança pública e defesa externa, educação e saúde da população, infraestrutura e relações exteriores — retiram de sua própria experiência governativa anterior (nos munícipios, nos estados, na esfera legislativa) as principais diretrizes a serem aplicadas num mandato determinado (em democracias, pela via eleitoral), ou então buscam sugestões com base em estudos técnicos disponíveis e em propostas que lhes são submetidas por homens de ideias, ditos ideólogos, do momento presente, ou de etapas anteriores da trajetória do país.

Ideias movem o mundo pretendem intelectuais, mas o mais exato é que ideias, teorias, programas de governo resultem de uma interação entre ideias puras, ou seja, conceitos ideais, e necessidades e constrangimentos extraídos da vida como ela é, o turbilhão de processos, iniciativas e reações vindas de agentes internos e externos, produtores, consumidores, reguladores, governos e empresas estrangeiras interagindo com seus parceiros nacionais, públicos e privados.

Na economia, que é o núcleo central, e o mais relevante polo das políticas governamentais, o Brasil atual é o resultado de uma colonização extratora, com quatro séculos de regime de trabalho escravocrata que moldou boa parte da sociedade, adentrando na própria independência, ao lado da marginalidade estrutural dos setores livres da população dedicados à atividade agrícola de abastecimento e todos os demais serviços urbanos, primeiro artesanais, depois numa atividade manufatureira-industrial.

A forte imigração desde o final do século XIX e início do XX, sofisticou serviços, comércio e indústria, ao lado do estabelecimento de instituições de ensino nos diversos níveis, mas sempre com atraso relativo em relação a países mais avançados e vis-à-vis as próprias necessidades da sociedade nacional, que passa por rápidos processos de urbanização e de democratização social ao longo do século XX.

Na segunda metade do século XX, o Brasil já tinha uma feição econômica, politica e educacional relativamente similar à que temos atualmente, mas enfrentou, ao lado da modernização dinâmica que continuou moldando a sociedade e o Estado, ciclos inflacionários e de descontrole nas contas públicas que consolidaram e praticamente congelaram os altos índices de concentração de renda e de iniquidade social que exibia tradicionalmente.

O Brasil é uma sociedade moderna, mas com um número excessivamente elevado de pobres e de miseráveis, resultado de estruturas oligárquicas que sempre se mantiveram estáveis, nos diferentes formatos assumidos ao longo do tempo. Governos social-democratas ou de esquerda nas últimas três décadas não lograram corrigir esse lado mais deplorável da sociedade brasileira, que é uma desigualdade estrutural resiliente às transformações na sua base econômica— inclusive um agro bastante moderno, que enterrou a agricultura atrasada que se arrastou até os anos 1980-90 — e no próprio substrato industrial, em serviços e nas instituições de ensino. A marginalidade social e a exclusão política persistem nas grandes cidades e no campo brasileiro.

Passemos agora ao panorama das ideias e das práticas no terreno da política externa e da diplomacia.

(A continuar)

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5456: 12 setembro 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/as-ideias-e-as-praticas-da-politica.html)

Monica De Bolle discute alguns aspectos competição eleitoral no tocante à política externa

Monica De Bolle discute alguns aspectos competição eleitoral no tocante à política externa:

"Política externa e a submissão ao governo Trump como o tema real das eleições

O que mais me preocupa, e venho dizendo isso há meses nestas lives, é a postura brasileira em relação à sua própria política externa e o que os candidatos à Presidência estão oferecendo nesse terreno, se é que estão oferecendo alguma coisa. Acompanhei, por alto, o discurso do presidente Lula neste 7 de setembro. Gostei em parte do conteúdo, mas faltam esclarecimentos e visões sobre política externa num mundo que muda muito rapidamente e diante de uma política americana extremamente hostil à América Latina e, para usar um termo de que não gosto, desenvergonhadamente imperialista.

Entendo que política externa é um tema difícil para o eleitorado. Mas, neste instante, não é tão complicado explicar às pessoas que o Brasil precisa ter entre suas lideranças gente capaz de tratar com os Estados Unidos com a devida altivez. Isso significa que não podemos ter na Presidência e em outros altos cargos da República pessoas que queiram ser submissas ao governo Trump. Isso será péssimo para o Brasil, e esse péssimo não tem ideologia: atingirá a todos, a população como um todo e o próprio empresariado. Como estamos vendo há pelo menos vinte meses, o governo americano não é um parceiro confiável. Não tem aliados, não tem amigos, e entra para fazer valer os seus interesses a qualquer custo. Sabemos que há candidatos à Presidência que vão querer submeter o Brasil aos Estados Unidos, e não haverá tratamento amigável para um Brasil submisso. O Brasil será tratado como capacho, sobretudo na economia. Portanto, estas eleições também são sobre a capacidade do Brasil de ditar suas próprias regras, formular suas próprias políticas e conduzir o país sem a ingerência de terceiros.
 

A Venezuela como Estado-fantoche e o uso dos instrumentos do Pentágono

Não é difícil olhar para o entorno da América Latina e ver o que está acontecendo. O Brasil não é a Venezuela e é completamente diferente dela. Mas o dito acordo que o governo Trump acabou de fazer com o governo que instalou na Venezuela — o governo chavista e madurista de Delcy Rodríguez e adjacências — submete o petróleo, recurso soberano de um país, aos Estados Unidos. Desde a remoção de Maduro em janeiro, a Venezuela tem um governo que continua não democrático, sem legitimidade e autoritário, e que hoje está completamente nas mãos de Trump e de seu entorno. A Venezuela é hoje um Estado-fantoche dos Estados Unidos, o que significa que o termo “venezuelização”, tão usado no passado para denotar cenários de domínio da “extrema esquerda”, tem hoje outra conotação. “Venezuelização”, hoje, significa ser laranja do Laranjão, ser marionete do octogenário truculento que ocupa a Casa Branca. Há um candidato nessa corrida que já fez de tudo para dizer a todos que seu objetivo é venezuelizar o Brasil. O nome dele é Flávio Bolsonaro.

“Venezuelização”, hoje, significa ser laranja do Laranjão, ser marionete do octogenário truculento que ocupa a Casa Branca.

Há um aspecto institucional dessa história do petróleo venezuelano que vale a pena registrar. O uso de instrumentos do Pentágono para pôr as mãos no petróleo alheio vem ocorrendo sem qualquer governança. Os mecanismos internos do Pentágono que vêm sendo usados foram definidos pelo Congresso americano para empréstimos, e não para a aquisição de participação acionária direta em projetos. Ou seja, o próprio uso desses mecanismos não está de conformidade com a governança dos Estados Unidos. Há eleições legislativas aqui em novembro e, caso os democratas recuperem uma participação maior na Câmara e talvez no Senado, deve haver muita controvérsia em torno disso. Nós não precisamos herdar esse tipo de problema, tampouco criá-lo para nós mesmos. Já estamos criando problemas de magnitude suficiente com a crise institucional pré-eleitoral que se avoluma a cada dia.
 

Serra Verde, terras raras e o objetivo militar do investimento americano

Estava hoje escrevendo um artigo sobre a Venezuela e sobre o acordo recém-firmado com a Serra Verde, a empresa de Goiás que opera a mina de Pela Ema e que é hoje a única empresa fora da Ásia a fazer, ainda em pequena escala, algum processamento e refino de elementos de terras raras. Os antigos acionistas e fundos de private equity venderam-na à USA Rare Earth, uma empresa privada norte-americana. O ponto que ainda não chegou ao Brasil, sobretudo àqueles que repudiam o papel do Estado na economia, é que o governo Trump é extremamente intervencionista. Ele faz exatamente o que os críticos da intervenção estatal condenam. O governo americano é hoje acionista de uma porção de empresas, no setor de minerais críticos e em diversos setores, inclusive no de inteligência artificial. No caso da USA Rare Earth, o governo americano detém entre 8% e 16% do capital. Logo, o governo Trump é acionista da Serra Verde.

Além disso, tal como fez na Venezuela, o Pentágono criou um veículo de propósito específico, um special purpose vehicle, para direcionar recursos à extração de terras raras em Goiás. Os depósitos de Pela Ema contêm precisamente os elementos mais pesados, usados nos ímãs com os quais se fabricam mísseis guiados e outros armamentos. O investimento do Pentágono nessa empreitada tem um objetivo militar, assim como o investimento do Pentágono no petróleo venezuelano. Não há depósitos significativos de terras raras nos Estados Unidos, e esses elementos são estratégicos tanto para a indústria de defesa quanto para a de tecnologia e para o desenvolvimento de inteligência artificial. É por isso que o Brasil tem hoje essa importância para os Estados Unidos: temos recursos que eles querem e precisam.

Nós temos a oportunidade, se assim quisermos, de desenvolver esses setores de forma mais bem pensada, com mais possibilidades de gerar empregos e desenvolvimento econômico daqui a alguns anos, porque esses projetos são de longo prazo. Para isso, precisamos de parcerias reais, com países cujos interesses e objetivos estejam alinhados aos nossos. Os objetivos do governo Trump nada têm a ver com os nossos, e não pensem que ele tem qualquer interesse em reconstruir a economia da Venezuela. A questão da soberania nacional, que agora todo mundo joga para lá e para cá sem discuti-la a fundo, está, de fato, posta nestas eleições. Esse tema não está sendo pautado com a devida urgência por ninguém.
 

O que é soberania econômica e o que parcerias exigem

Como economista, meu entendimento de soberania limita-se ao ponto de vista econômico. Soberania é a capacidade de um país fazer suas próprias escolhas de acordo com seus interesses e implementar suas diretrizes de política pública e econômica, sem a interferência de outra nação nesse processo. Há discussões muito mais amplas sobre soberania na literatura de relações internacionais.

É muito importante não confundir parcerias com perda de soberania. Se o Brasil quiser fazer acordos com a China, com os europeus, com os australianos ou com quem for para exploração, refino e processamento de recursos naturais, ótimo, desde que existam instituições e marcos regulatórios e legais que garantam que isso ocorra de acordo com as nossas leis e com o que queremos para o país. Com a presença de instituições minimamente sólidas, as parcerias não comprometem a soberania econômica, pelo contrário. O problema é que os Estados Unidos atuam hoje na América Latina com completo desprezo pelas leis e pelos marcos regulatórios dos países em questão. Vimos isso nas negociações comerciais de agosto, quando, antes dos novos tarifaços aplicados sob a Seção 301 do Trade Act de 1974, os Estados Unidos pediram ao Brasil coisas que o país não podia entregar sem violar suas próprias leis. Esse é o tipo de parceria que o governo Trump oferece. Fazer parceria sem marco institucional é simplesmente submeter-se às exigências desse governo, e o que tipicamente acontece na ausência de institucionalidade e governança é corrupção, história que nós conhecemos muito bem.

A ingerência não poupa países amigos dos Estados Unidos. Contei na live anterior, às férias, a propósito do artigo sobre o Mercosul que publiquei com Philip Yang, o caso de uma empresa argentina de fibra ótica que havia firmado um acordo com a Huawei. O embaixador americano na Argentina mandou uma mensagem de WhatsApp ao dirigente da empresa, dizendo que, caso o acordo não fosse desfeito, os vistos dos dirigentes seriam revogados. O visto para os Estados Unidos tornou-se mais um instrumento de coerção em matéria de soberania econômica. Qualquer movimentação dos Estados Unidos no nosso entorno, no Paraguai ou na Venezuela, é preocupante para nós, e nada disso está sendo feito às escondidas. É feito com base na truculência transparente, pois é assim que Trump opera.

Os Estados Unidos, que durante tantos anos quiseram exportar ao mundo seus modelos de governança e institucionalidade, resolveram dizer que não estão mais interessados em governança em lugar algum, inclusive em casa. Para países de instituições frágeis como o Brasil, isso cria uma situação praticamente sem precedentes: não há hoje nenhuma liderança no mundo defendendo regras e instituições como deveriam ser defendidas. Tenho dito aos meus colegas no Peterson Institute for International Economics que o que está acontecendo aqui é uma latino-americanização dos Estados Unidos. Nós, que já temos uma situação ruim, queremos mesmo piorá-la ficando submissos a isso?
 

O exemplo canadense e a organização dos exportadores de nióbio

O Canadá é a economia mais dependente dos Estados Unidos do planeta, mais do que o México, e, ainda assim, resolveu enfrentar o governo Trump. Não foi à toa. O Canadá tem muitos recursos naturais, e Trump começou o mandato, no início de 2025, dizendo que ia anexar o país. O que Trump diz tem de ser levado a sério. Os canadenses entendem que baixar a cabeça é um perde-perde na certa, e formaram um consenso político e social interno para o enfrentamento. As atitudes de Mark Carney na atual guerra comercial receberam apoio, inclusive, de adversários políticos, gente que tinha alguma simpatia pelo trumpismo antes de Trump começar a agredir o Canadá. O Brasil não precisa fazer exatamente o que o Canadá faz, porque os países e os interesses são diferentes, mas precisa de uma visão um pouco mais clara sobre si mesmo e sobre o que quer, e isso é para ontem.

No Brasil, não há consenso sobre nada, porque tudo é movido pelos interesses de cada um. Quando Philip Yang e eu propusemos a retaliação por meio de um imposto de exportação, as críticas vieram sobretudo de pessoas vinculadas a setores produtivos com interesses próprios. A partir do momento em que todo mundo tem agenda e defende sua própria posição, perde-se a noção de país. Poderíamos adotar outra atitude se tivéssemos uma consciência coletiva que transcendesse essas agendas privadas.

Durante as férias, lendo sobre o dia em que a equipe canadense interrompeu as negociações com a equipe americana, e pensando no artigo que Philip Yang, Robert Muggah e eu publicamos no The Hill Times, publicação muito lida por parlamentares canadenses, propondo que Brasil e Canadá unissem forças nesse enfrentamento, ocorreu-me que os dois países bem poderiam fundar a OPEN, a Organização dos Países Exportadores de Nióbio, nos moldes da OPEP. Brasil e Canadá detêm, juntos, a totalidade da produção global de nióbio. Com isso, a indústria de defesa dos Estados Unidos seria estrangulada. Claro que seria bem complicado do ponto de vista das reações americanas, mas é uma divagação praiana que não deixa de ser relevante para esta discussão.

(Em tempo, OPEN é a sigla em português. Em inglês, seria ONEC – Organization of Niobium-Producing Countries)."

Monica De Bolle, 10/09/2026

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